joagando meu corpo no mundo

andando por todos os cantos

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quase nada


De você sei quase nada



Pra onde vai ou porque veio


Nem mesmo sei


Qual é a parte da tua estrada


No meu caminho






Será um atalho


Ou um desvio


Um rio raso


Um passo em falso


Um prato fundo


Pra toda fome


Que há no mundo






Noite alta que revele


Um passeio pela pele


Dia claro madrugada


De nós dois não sei mais nada

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

– dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobravél. Eu sou.
 
Adélia Prado